
Presente em milhares de propriedades rurais gaúchas, a cana-de-açúcar segue como uma importante fonte de renda para famílias agricultoras e para agroindústrias familiares em todo o Rio Grande do Sul. Além da produção de açúcar mascavo, melado, rapadura e cachaça, a cultura tem impulsionado iniciativas de Turismo Rural e contribuído para a permanência das famílias no campo. Segundo a Emater/RS-Ascar, o Estado possui mais de 5 mil agroindústrias ligadas à cadeia produtiva da cana-de-açúcar, das quais mais de 4 mil estão inseridas no Programa Estadual de Agroindústria Familiar (Peaf).
De acordo com o assistente técnico estadual em culturas da Emater/RS-Ascar, Alencar Paulo Rugeri, a relevância da cultura vai além da área plantada. Ele destaca que a cadeia produtiva envolve milhares de famílias e mantém forte vínculo com a agricultura familiar. “Nas mais de 5 mil agroindústrias de cana-de-açúcar registradas no Estado há a mesma quantidade de famílias envolvidas na atividade, sendo que milhares de produtores utilizam a cana para autoconsumo e alimentação animal”, afirma.
Rugeri explica que a cana ocupa um espaço importante dentro das propriedades rurais, principalmente pela diversidade de produtos que podem ser obtidos a partir dela. “A cana é um elemento fundamental na propriedade rural. Além da transformação em açúcar mascavo, melado, rapadura e cachaça, ela é utilizada na alimentação animal. É uma cultura que agrega valor e gera renda por meio de cadeias curtas de comercialização”, ressalta.
Apesar do potencial econômico, a atividade enfrenta desafios. O principal deles é a disponibilidade de mão de obra, em especial durante o período de colheita. “O grande gargalo da cadeia ainda é a questão da mão de obra e da mecanização. A colheita ocorre durante o inverno, quando as condições são mais difíceis para o trabalho. Ainda assim, muitos produtores têm desenvolvido equipamentos adaptados para reduzir o esforço físico e aumentar a eficiência das operações”, explica.
Para apoiar os agricultores, a Emater/RS-Ascar desenvolve ações de Assistência Técnica e Extensão Rural e Social (Aters) em diferentes regiões do Estado. Entre as estratégias estão as Unidades de Referência Tecnológica (URTs), onde são implantadas variedades recomendadas pela pesquisa. “Nossa metodologia consiste em levar os produtores até essas Unidades por meio de dias de campo e eventos técnicos. Assim, eles podem conhecer as cultivares, avaliar suas características e escolher aquelas que melhor se adaptam às suas propriedades”, destaca Rugeri. Segundo ele, a troca de mudas e conhecimentos também fortalece a atividade. “É uma cultura marcada pela colaboração. Os produtores compartilham mudas, experiências e informações, o que contribui para a evolução da produção”, observa.